
Estou aqui. Senta-te a meu lado. Juntos e abancados aqui neste chão invisível. Eu sei que é um caos, com tudo desarrumado e os mosaicos que cobrem o chão, quebrados. Não me importo de ficar cortado ou ladeado por estes pequenos pedaços de cerâmica, desde que te sentes aqui e possamos falar. Só mais um pouco, diz que sim.
E assim se rasga o silêncio e me deparo com estes dilúvios mentais. Esta fluência crescente e intervalada de tsunamis emocionais. Com calma os mosaicos juntam-se e dão origem a um novo e bonito soalho. Agora já pode chover e fazer possas. Assim se reflecte no meu soalho toda a imagem do mundo, toda a carga que trago às costas. Como uma bela paisagem de inverno à beira-mar ou talvez, como uma praia vazia apenas populada pela minha inocente e solitária imagem, debaixo de uma grande tempestade.
É-me complicado ordenar as palavras neste momento, admito. Se calhar devia parar de escrever, mas já escrevi dois parágrafos e tal, não quero parar.
Dirijo-te as palavras. E elas explodem! Consegues ver? Consegues sentir?
Provavelmente nunca vou descobrir. Os seres humanos são paradoxais e tu és o paradigma do verbo "ser".
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